On terça-feira, 14 de junho de 2011 7 comentários


Em nossos dias há uma deturpação incrível de valores, do uso das palavras e principalmente de seu significado. Um destes conceitos tão preciosos, que tem sido desgastado e mal empregado não somente em sua utilização , mas também em sua prática é o da comunhão. Vamos tentar entender um pouco sobre esta questão e após identificarmos alguns equívocos, buscarmos viver diariamente o assunto desta conversa decente cristã de hoje.

"Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos!" (Salmos 133.1)


Este é um texto bastante conhecido e trata justamente da importância da união entre os irmãos. Entretanto, há a idéia equivocada de que viver em união é se reunir em um determinado lugar, por exemplo, na igreja, e cumprimentar a todos, ser gentil e simpático com os visitantes e coisas do gênero. Isto não é comunhão, muito pelo contrário, não passa de superficialidade.

Viver em união é diferente de estar reunido.

Comunhão é uma palavra grega -
Koinonia - e que aponta para um relacionamento espiritual, profundo e pessoal entre aqueles que são membros do corpo de Cristo. Longe de ser superficial, é uma interação, uma comunicação sincera que permite perceber uma dor não demonstrada, ainda que exista um sorriso estampado no rosto, que é revelada nas ações, onde cada um cuida do outro como se fosse de si mesmo, não visando seus próprios interesses, que se alegram com os que sorriem e choram com os que estão em pranto:

"Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram." (Romanos 12.15)


E essa percepção só é possível porque existe uma vida compartilhada, não algo extraído de um simples encontro! De pessoas que entenderam que é mais fácil suportarem o peso dos fardos que carregam se em amor o partilharem com outros:

"Levai a carga uns dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo." ( Gálatas 6.2)


Outra característica importante acerca da comunhão verdadeira é que ela traz crescimento. Exemplo claro disso é encontrado em Atos 4.32-35:

"Da multidão dos que creram era um o coração e a alma. Ninguém considerava exclusivamente sua nem uma das cousas que possuía; tudo, porém, lhes era comum. Com grande poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça. Pois nenhum necessitado havia entre eles, porquanto os que possuíam terras ou casas, vendendo-as, traziam os valores correspondentes e depositavam aos pés dos apóstolos; então se distribuía a qualquer um à medida que alguém tinha necessidade."

Entendemos com isto que, embora não seja fácil entrarmos no mundo de nossos semelhantes e permitirmos que eles conheçam o nosso, devido a tanto fatores, como indiferença, egoísmo, timidez ou medo, não é impossível vivermos em comunhão. Percebemos que ao levarmos o fardo uns dos outros, partilhando dos problemas e das bem-aventuranças, dos quais todos nós recebemos uma quantia, tornam nossa jornada mais leve e descobrimos muitas histórias que em vários aspectos se entrelaçam com a nossa, nos ensinando que sempre há mais para aprendermos com a pessoa que está ao nosso lado do que poderíamos supor.

E o mais importante, chegando ao ponto central implícito do nosso texto: aprendemos primeiramente que Deus nos amou e que Seu cuidado se estende de tal forma a nós, que dessa maneira, podemos amar, não de palavras, mas em atitude, de fato e de verdade, cuidando uns dos outros!


Deus os abençoe.

7 comentários:

Fernando Saraiva disse...

Olá Gerlane,

Mais uma vez brilhante em suas colocações. Realmente o termo comunhão, foi reduzido pelos cristões, como se este fosse somente restrito á aqueles pequenos momentos nos “cultos” religiosos de adoração ao Senhor, até mesmo nas orações dos pastores e membros vemos tal fato, __Vamos entrar em comunhão com Deus neste momento.

Faço uma comparação com os votos de casamento, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença e por ai vai. Muitas e digo muitas mesmo, queremos viver somente o lado bom da “comunhão”, a alegria, a saúde, a prosperidade... E nós esquecemos de vivermos a totalidade em Cristo.

O personagem Jó é para mim um exemplo de comunhão com o Senhor, não pelo seu sofrimento, não porque Deus o fez prosperar em tudo. Mais porque ele entendeu, que tudo aquilo que sobreviera a ele de bom ou de mau, provinha de Deus.

Comunhão, também não é apenas participar da partilha da ceia com os irmãos da mesma fé, mas sim compartilhar com os outros a imensa graça de ter Cristo Jesus como o soberano Senhor de nossas vidas. Ora a Deus, que a igreja (Instituição) e a IGREJA (Pessoas) possam compreender o real significado da palavra Comunhão.

Paz e Vida!!!

Gerlane G. Oliveira disse...

Oi Fê,

mais uma vez, de forma interessante, você acrescentou ao texto com seu comentário.

Muito obrigada, tenho aprendido muito com suas colocações!

Paz! ;)

Harryson Johnson disse...

Paz do Senhor Gerlane,

Concordo que os relacionamento superficiais estão se tornando cada vez mais comuns, assim como o mal empregado das palavras.

Acredito que outros dois fatores influenciem nisso. Um é o individulismo, que é pregado implicitamente pelas igrejas neo-petencotais (se bem que as prefiro chamar de pseudopetencostais)através do triunfalismo, em que se tem o 'prazer' de "jogar na cara" dos outros (muitas vezes nossos próprios irmãos) as "bençãos" recebidas.

E outro fator, seja a dificuldade de encontrar pessoas confiáveis no seio da igreja, em que você pode contar seus problemas mais íntimos sem que toda igreja saiba antes do fim do culto. Isso tem levado muitas pessoas a se fechar. O que é péssimo. Mas loivo a Deus conhecer pessoas as quais posso confiar minhas angústia na igreja que faço parte.

Por favor, peço que você explane mais sobre este tema. Penso que você poderia ter falado mais coisas.

Deus te abençõe.

Gerlane G. Oliveira disse...

Paz Harryson!

Realmente este é um assunto tão vasto que não pode ser resumido ou abordado em apenas um texto.

Você citou alguns fatores importantes, os quais podem ser tratados em um futuro texto.

Penso que a participação de Alex, Anderson e Marcelo com posts sobre o mesmo tema podem também acrescentar e muito,gerando quem sabe, uma pequena série sobre o assunto. É algo a ser estudado e posto em ação.

Obrigada pelo comentário e sugestão.

Deus o abençoe!

Anderson Alexandre disse...

Boa noite, Gerlane. Concordo com tudo o que você citou. O que hoje vemos é um amor baseado em troca. Outo dia eu estava em determinada igreja - não a que congrego. costumo visitar muitas igrejas - em uma escola bíblica, e, discorrendo justo sobre Atos 4.32-35 eu falei que nos dias de hoje não vemos isso em parte alguma. E a resposta me deixou muito frustrado.

O professor disse que não era bem assim que as coisas funcionavam no nosso século. Disse que naquele tempo as pessoas vendiam tudo o que tinham por acreditarem que Jesus voltaria logo e que hoje não precisamos vender o que temos e dar aos outros.

Perguntei a ele se ele acreditava que Jesus poderia voltar em nossos dias e ele ficou calado, por perceber o que havia acabado de falar.

Mais na frente discutindo o mesmo assunto ele disse que não ajudaria uma pessoas que não estivesse na igreja cooperando porque não é justo ele ser ajudado se não ajudar.

Perguntei a ele se ele ajuda as pessoas por amor ou por interesse e outra vez ele se calou.

É lamentável o que vemos em nosso meio. Precisamos acabar com esse câncer. Quando eu estava fazendo seminário tive muitas decepções com muitas pessoas por conta dessa única passagem. Quando se iniciava uma conversa sobre isso, sempre se falava a mesma coisa: Eles vendiam porque acreditavam que Jesus viria logo.

Sinceramente eu vejo de forma diferente essa passagem. Minha leitura desses poucos versículos me mostram que eles eram amorosos e doavam por amor ao próximo, não só porque achavam que Jesus voltaria logo.
Se assim fosse, seria sacrifício de tolo e a Bíblia não daria cobertura a isso. No seminário eu sempre tentava mostrar isso aos professores, sem sucesso. Uma pena.
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Sobre fazer uma série. Tow dentro.
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Gerlane. Mais uma vez, parabéns. Post perfeito

Alex Oliveira disse...

Gê. Parabéns pela postagem. Realmente é muito sério esse problema da deturpação dos sentidos reais das palavras nos dias atuais.

Um grande fator que tem influenciado muito no desgaste dessa palavra, bem como do próprio amor, são as novelas por exemplo. Fingir e enganar com essas palavras é o que mais podemos ver hoje em dia, infelizmente.

Mas Deus está procurando pessoas capazes de amar como ele amou para que possam viver o que nem um outro terá o privilégio de viver e ter uma comunhão pura e verdadeiramente sincera entre si.

E sobre a sugestão... É ótima. Estou dentro. Deus continue te abençoando. Bjoo
Fica na paz

Gabriela disse...

Olá estou seguindo seu blog por ter gostado muito Deus continue abençoando. abraços
www.blogandodemadrugada.blogspot.com

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